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About Last Night

She used words to say nothing at all and silence to explain everything.

About Last Night

She used words to say nothing at all and silence to explain everything.

words | 18

Naquele dia amei-te. Não sei se fazia frio ou calor, se era dia ou noite, se estavamos tristes ou alegres... Há tanto tempo, aquele dia. Lembro-me de pensar que tinhas o rosto mais bonito que já tinha visto - hoje, não penso diferente. Não crescemos juntos, mas fizemo-lo mais ou menos ao mesmo tempo. Vi-te tornares-te neste homem que carrega trinta anos de uma vida que sempre te tratou tão bem.

 

Rimos e chorámos, um com o outro, um pelo outro, nós por terceiros. Caminhámos quase sempre por ruas paralelas, ignorando o facto de que os cruzamentos existem e não apenas para matar as saudades quando elas, de repente, aparecem. Quantas vezes o corpo nos pediu que parassemos de andar em círculos, de procurar o que quer que seja que achamos que tanto nos falta? Quantas vezes não demos ouvidos à vontade de permanecer naquele lugar onde, de tempos a tempos, as nossas promessas silenciosas colidem?

 

Acreditamos que nos conhecemos mas sabemos tão pouco um do outro. Não sei que cheiro tem a tua pele ou que textura teria o teu cabelo no meio dos meus dedos. Saberias, se te perguntasse, de que cor são verdadeiramente os meus olhos? Imagino como pensas e prevejo o teu modo de agir, mas já não és o mesmo que amei há tanto tempo, naquele dia. Somos estranhos, no fundo. Só que familiares. E é essa familiaridade que me condena a voltar sempre ao lugar onde nunca sabemos alcançar-nos. Onde somos felizes sem o ser e vivemos pela metade. Metade de um nós que de vez em quando preciso de inventar. Metade de ti, e dos sorrisos que nos restam para que não se perca tudo de vez.

 

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